AÇÚCAR & ETANOL
Nuria Brito

Nuria Brito

Estudante de Economia pela Universidade Estadual de Campinas, em São Paulo. Possui experiência em pesquisa e análise de mercado. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil com foco em Grãos e Oleaginosas.
Este texto teve a colaboração de Thaís Monello e João Lopes.

O impacto da abertura do mercado egípcio para a pluma brasileira

No dia 18 de janeiro da 2023, o Ministério da Agricultura e Pecuária anunciou uma novidade que gerou otimismo no mercado brasileiro da pluma. Após um longo processo, que teve início em 2006 e ganhou força em 2020, o Egito abriu o seu mercado para a importação da fibra natural do Brasil, se tornando mais um possível demandante da produção do país. Portanto, a questão a ser feita é: qual o impacto dessa medida para o nosso mercado?

A cada ano que passa, o Brasil ganha mais espaço no mercado internacional de algodão, sendo um dos principais players quando se fala na exportação da commodity. Ficando atrás apenas dos Estados Unidos, o Brasil se consolidou como o segundo maior exportador da pluma, tendo embarcado 1,6 milhão de toneladas no ciclo 2021/22 segundo os dados do USDA – uma diferença de 1,5 milhão de toneladas ante o registrado pelos EUA.

Principais exportadores de algodão nos últimos anos (%)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX

Atualmente, a indústria têxtil presente no sul e sudeste da Ásia possui papel importante na definição dos destinos do produto brasileiro. Países como China, Vietnã e Paquistão são os principais parceiros comerciais do Brasil e, apesar da perspectiva de que o volume importado pelo Egito não chegue ao patamar adquirido por esses países, a demanda egípcia pode fortalecer a posição do mercado brasileiro no cenário internacional.

Principais importadores do algodão brasileiro em 2022

Fonte: Comex Stat. Elaboração: StoneX.

Os principais fornecedores para o mercado egípcio são Grécia, Estados Unidos, Burkina Faso, Benin e Sudão. Em relação à participação no valor médio das importações nos últimos 5 anos, apenas a Grécia foi responsável por 40,35%. Desse modo, nota-se que o algodão grego possui grande importância no abastecimento egípcio, o qual deve apresentar uma demanda crescente, dado o objetivo do país em expandir a sua indústria têxtil nos próximos anos.

Valor médio das importações egípcias de algodão nos últimos 5 anos (%)

Fonte: WTO. Elaboração: StoneX

Oportunidades para a fibra natural brasileira

A expectativa é de que as janelas de exportações favoreçam a comercialização da pluma brasileira, visto que a Grécia – principal fornecedora de algodão para o Egito – começa a sua colheita apenas em outubro. Assim, com o início da colheita brasileira em junho, o Brasil poderia aproveitar a janela até a chegada do produto grego no mercado para obter maiores embarques para o Egito.

Plantio e colheita do Brasil e da Grécia

Fonte: USDA e StoneX. Elaboração: StoneX.

De início, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) espera que o país seja responsável por fornecer, aproximadamente, 20% do volume importado pelo Egito. Desse modo, considerando que a média anual de importações egípcias está em torno de 120 mil toneladas de algodão, o início da relação comercial com o país africano poderia permitir ao Brasil um aumento de cerca de 24 mil toneladas exportadas por temporada – o que representa apenas 1,3% do exportado em 2022.

Embora o volume importado pelo Egito seja considerado pequeno frente a outros países que demandam a pluma brasileira, entende-se que a oportunidade para tal abertura está no destaque mundial que o Brasil pode ganhar em relação à qualidade da pluma. A comercialização será feita através da fibra média (20,6 a 25,4 milímetros de comprimento) e pode trazer desafios aos cotonicultores, dada a exigência egípcia por uma fibra natural sem pragas e de elevada qualidade.

Portanto, caso o Brasil consiga atender tais exigências, a perspectiva é de que o mercado brasileiro ganhe mais credibilidade internacionalmente, o que poderia contribuir para a conquista de novos mercados e uma relevância ainda maior do país no mercado internacional, enquanto um player importante.

Nuria Brito

Estudante de Economia pela Universidade Estadual de Campinas, em São Paulo. Possui experiência em pesquisa e análise de mercado. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil com foco em Grãos e Oleaginosas.
Este texto teve a colaboração de Thaís Monello e João Lopes

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