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As limitações do parque de refino no Brasil

Em 2022, a demanda por combustíveis no Brasil seguiu aquecida, recuperando os patamares pré-pandemia em meio a recuperação da atividade econômica. Estima-se que o consumo de diesel B tenha atingido 63,22 milhões de m³ em 2022 (+1,7% a.a), enquanto a gasolina ficou em 43 milhões de m³ (+9,2% a.a.). No entanto, parte da demanda doméstica foi atendida por combustíveis importados, refletindo a menor capacidade de refino do país, o que aumenta a dependência com o mercado internacional para o abastecimento interno.

Assim, a Inteligência de Mercado elaborou uma breve análise sobre o parque de refino de petróleo no Brasil e como isso impacta o abastecimento de combustíveis no mercado brasileiro, além de perspectivas para os próximos anos.

 

Características das refinarias brasileiras

De acordo com a ANP, o Brasil conta com 18 refinarias de petróleo, registrando uma capacidade de processamento de 2,4 mbpd em setembro de 2023. Desse montante, dez unidades pertencem a Petrobras, com a estatal detendo quase 79% de toda capacidade produtiva atualmente, inclusive a Refinaria de Paulínia (REPLAN) – maior centro de processamento do país, com capacidade de 433 kbpd. Em geral, com exceção da Refinaria de Mataribe (REFMAT), o setor privado detém as refinarias com a menor capacidade instalada, refletindo o menor market-share em relação a Petrobras.

Ademais, o Sudeste é a região que concentra as maiores refinarias do país, com a soma da capacidade de processamento atingindo 1,37 mbpd (56%), seguido pelo Nordeste (22%) e Sul (18%). A disposição das refinarias pode obedecer a alguns fatores, entre eles a proximidade com polos de consumo mais expressivos, como no caso das refinarias no estado de São Paulo, por exemplo; mas também podem estar mais próximas aos campos de extração de petróleo e portos, como as unidades do Rio de Janeiro e da Bahia, respectivamente.

Nos últimos dez anos, a capacidade instalada de refino apresentou um aumento menos expressivo, especialmente quando comparado com outros países. Entre 2012 e 2022, a capacidade no Brasil passou de 2 mbpd para quase 2,4 mbpd, um aumento de 18%. Apesar do aumento em termos relativos, em valores absolutos esse volume ficou abaixo de outros grandes polos de refino. De acordo com o Energy Institute, dentre os dez maiores parques de processamento, o Brasil foi um dos países que menos expandiu a capacidade instalada, ficando atrás do Japão e Estados Unidos. O salto do processamento no Brasil na última década se deu entre 2013 e 2014, com o início das operações da RNEST, mas, desde então, aumentos marginais da capacidade doméstica permitiram que o país recuasse da 8ª para a 9ª posição no ranking global.

 

A necessidade das importações

Enquanto a capacidade instalada de refino no Brasil está em 2,4 mbpd, a produção doméstica do óleo bruto já atingiu 3 mbpd em média em 2022. Isso indica que, mesmo que todo petróleo ofertado internamente fosse destinado para processamento nas refinarias, ainda se teria um excedente exportável expressivo. Esse cenário já se verifica no atual balanço doméstico do óleo bruto, uma vez que o consumo doméstico se manteve praticamente estável, enquanto o aumento das exportações de petróleo acompanhou esse crescimento da produção interna. Em 2022, estima-se que 45% de todo volume produzido foi destinado as exportações (1,35 mbpd), o segundo melhor resultado para a série histórica e um aumento expressivos em relação a 2012 (0,74 mbpd).

Apesar do processamento doméstico de petróleo oscilar em torno de 1,6 mbpd nos últimos cinco anos, a demanda por derivados no mercado interno cresceu de maneira mais expressiva. De acordo com a ANP, as vendas de derivados em 2022, especialmente de diesel e gasolina, se recuperaram de maneira expressiva, com o primeiro atingindo o maior valor da série histórica, enquanto o combustível leve apresentou o melhor resultado desde 2017. No entanto, o crescimento da demanda doméstica nos últimos anos não foi acompanhado de um mesmo aumento da produção, com esse movimento sendo atendido pelas importações.

Entre 2012 e 2022, a demanda por diesel A cresceu 8,3%, alcançando 56,9 milhões de m³, ao passo que produção doméstica do derivado se manteve relativamente estável no mesmo período, atingindo um ápice em 45,85 milhões de m³ no ano passado. Com isso, as importações ganharam cada vez mais destaque dentro do balanço do combustível, passando a representar quase 26% de todo o consumo doméstico em 2022, contra os 15% registrados em 2012 – além do volume ter mais que dobrado em termos absolutos, atingindo 15,93 milhões de m³. O cenário se repete no caso da gasolina A, com a produção doméstica não ultrapassando 25 milhões de m³, enquanto as importações aumentaram para atender a demanda interna, representando 15% o total consumido em 2022. A tabela abaixo reúne esses cenários para os três principais combustíveis derivados do petróleo.

Entende-se, por sua vez, que o aumento da participação da mistura de biocombustíveis contribuiu para limitar a necessidade de importação. No caso do etanol, essa participação limita o consumo de gasolina tanto pelo lado do aumento da mistura de anidro ao fóssil (hoje em 27,5%), como também pela competição com o hidratado, principalmente em períodos com a paridade entre os combustíveis abaixo de 70% em importantes estados consumidores, com foco em São Paulo. Em anos mais favoráveis, como 2019, o share de hidratado sobre o Ciclo Otto quase chegou a 30%, e, mesmo com a queda desde a pandemia, o aumento da demanda por gasolina também implicou em maior consumo de anidro – impactando a demanda total do fóssil.

O biodiesel também contribui para limitar a demanda pelo derivado fóssil. Entre 2012 e 2022, a mistura com o diesel passou de 6% para 10%, já chegando atingir 13% por alguns meses em 2021. Dessa maneira, conforme a demanda por Diesel B aumentava, as vendas de biodiesel também cresceram, chegando atingir 6,2 milhões de m³ em 2022 (+137% em dez anos). Com isso, parte do consumo de diesel foi convertido para o biocombustível produzido internamente, limitando o maior crescimento da necessidade de importação de combustível.

 

Perspectivas para o parque de refino

Como abordado anteriormente, a expansão do parque de refino no Brasil nos últimos anos não foi suficiente para acompanhar o aumento da oferta de petróleo e da demanda doméstica por combustíveis, especialmente o diesel. Com isso, observou-se um aumento do volume importado de derivados, o que contribui para aumentar a influência do mercado internacional sobre a dinâmica interna, especialmente em relação aos preços. Considerando esse cenário, investimentos sobre a capacidade produtiva doméstica podem amenizar a situação ao atender parte da demanda interna por combustíveis, por isso, avalia-se as perspectivas para o parque de refino brasileiro a partir das ações da Petrobras.

De acordo com o último plano estratégico divulgado pela estatal no período entre 2024-2028, o CAPEX da área de Refino, Transporte e Comercialização (RTC) atingiu USD 17 bilhões, sendo o segundo maior segmento da companhia, menor apenas que a área de Exploração e Produção (E&P) – que representa 72% do total anunciado. O plano destaca especialmente o aumento de capacidade de processamento nas refinarias em 225 mil barris por dia (bpd) e da produção de diesel S-10 em mais de 290 mil bpd até 2029. Entre as medidas já anunciadas, se tem a implementação de novas unidades de produção de diesel em algumas refinarias, como a REVAP, REGAP, REPLAN, RNEST e GASLUB. No segmento de biorefino, a companhia planeja investir USD 1,5 bilhão nos próximos cinco anos. A estratégia visa principalmente impulsionar a produção de Diesel R5 – combustível com 5% de conteúdo renovável, mas também mencionam, sem detalhes, a instalação de plantas dedicas para a produção de BIOQAV e diesel 100% renovável (HVO), mas que devem ser concluídas apenas após 2028.

Em geral, observa-se um esforço para aumentar a capacidade de refino doméstica, o que deve contribuir para atender a crescente demanda no país. No entanto, as perspectivas de expansão, especialmente para o diesel, não seriam suficientes ainda para garantir a autossuficiência, o que deve garantir um papel importante das importações para equilibrar o balanço do combustível. Ademais, essa dependência com o mercado internacional pode ser atenuada nos próximos anos caso se verifique um papel mais importante de biocombustíveis (como o aumento da mistura de biodiesel, e a introdução do diesel R5 e R10, como também do HVO no mercado doméstico, por exemplo).

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