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Rússia mantém exportações de petróleo aquecidas em 2023

O início da guerra entre Rússia e Ucrânia trouxe mudanças expressivas em relação ao mercado internacional de petróleo. Além de um avanço expressivo das cotações no início do conflito – com o Brent atingindo USD 127,98 bbl no início de março/22 – foi observado uma forte mudança na logística global de transporte da commodity, com a União Europeia reduzindo as compras de petróleo russo de maneira acelerada.

Entre março/22 e novembro/22, o bloco europeu diminuiu em 42% as importações advindas da Rússia, em meio à proximidade do começo das sanções ao produto provido por Moscou, iniciadas em dezembro/22. Tal embargo veio como forma de tentar reduzir as receitas providas à Rússia através das exportações do óleo bruto, que vinham financiando os custos da guerra com a Ucrânia.

Importação de petróleo russo por países da UE (milhões de toneladas)

Fonte: Eurostat. Elaboração: StoneX.

Em contrapartida à queda das importações europeias, notou-se um aumento expressivo das vendas de petróleo russo para a Ásia, principalmente China e Índia. No caso da China, entre 2021 e 2022, houve um crescimento de 8,3% das exportações da commodity, alcançando o maior valor da série histórica. Para a Índia, a alta foi ainda mais expressiva, de 798%, visto que antes do conflito o país não possuía uma parceria comercial forte com a Rússia em relação à compra de petróleo.

Paralelo a isso, os dois países seguem expandindo as importações da commodity provida pela Rússia em 2023. De acordo com a Administração Geral da Alfândega da China (GACC, sigla em inglês), entre janeiro e fevereiro, a China importou 15,68 milhões de toneladas de petróleo da Rússia, ficando 23,8% acima do observado no mesmo período do ano passado. No caso da Índia, o Ministério de Petróleo divulgou que o país comprou 6,05 milhões de toneladas do energético russo em janeiro, que representa 18% do total importado em 2022, evidenciando a tendência de expansão dos fluxos da commodity entre Nova Delhi e Moscou.

Importações de petróleo russo pela China – Milhões de toneladas

Fonte: GACC. Elaboração: StoneX.

O motivo por trás desse aumento do transporte para a Ásia está relacionado principalmente aos descontos dos preços dos barris russos em relação às referências globais. Desde o início do conflito até meados desse mês, o spread médio entre o contrato mais ativo do Brent e o barril tipo Ural foi de USD 23,6 bbl. Mesmo nos meses mais recentes, quando as cotações do Brent passaram a seguir uma tendência de queda, os diferenciais seguiram num range entre USD 21 – 28 bbl, evidenciando a forte preferência financeira em relação aos barris vendidos pela Rússia.

Além disso, diferente de diversos outros países, a Rússia e a Índia não aderiram ao embargo promovido pela União Europeia, tampouco à política de “price cap” aprovada pelo G7, o que permitiu essa elevação das vendas russas. Tal movimentação garantiu que as exportações de Moscou continuassem aquecidas mesmo após a redução dos fluxos para a União Europeia, com destaque para os envios pelo Mar Báltico, Pacífico e Mar Negro, que entre março/22 e março/23 registraram altas na ordem de 16,3%, 7,6% e 7,3%, respectivamente. No geral, as vendas da commodity ao exterior avançaram 19,2% ao longo do mesmo período.

Esse cenário de crescimento das compras da China e Índia, atrelado às perspectivas de que ambos os países mantenham as suas importações em expansão nos próximos meses – em meio à uma retomada da economia chinesa no cenário pós pandêmico e as perspectivas de forte crescimento do PIB indiano para o ano fiscal de 2023-24 – permitiu que os custos de contratação e fretamento de navios tanqueiros subissem de maneira expressiva ao redor de todo o globo. De acordo com fontes das empresas responsáveis por esses navios, os custos de frete para contratação de um VLCC – com capacidade de transporte de 2 milhões de barris – alcançaram cerca de USD 100 mil por dia ao longo desse mês, ao passo que no mês passado o valor total chegava, em média, a USD 50 mil por dia.

Dessa forma, apesar das recentes quedas dos preços causadas por fatores exógenos ao mercado petrolífero, como os receios em relação à política monetária contracionista pelos países centrais e, mais recentemente, à possibilidade de uma crise financeira sistêmica, observa-se que esse retorno do consumo asiático deve garantir suporte aos preços do petróleo e dos combustíveis, principalmente no segundo semestre que, de acordo com as estimativas do STEO, devem aumentar 2,54% em relação ao mesmo período de 2022.

Demanda de petróleo na China – mbpd

Fonte: STEO. Elaboração: StoneX.

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