Resumo Semanal de Commodities – 13/02 a 20/02/2026

Resumo Semanal de Commodities

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CÂMBIO

Câmbio deve refletir ilegalidade de tarifas de Trump, tensões no Oriente Médio, dados no Brasil e saída de Lagarde do BCE 

Os dados mais esperados da semana, o Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE) dos EUA apontaram sinais contraditórios. A primeira leitura do PIB do 4ºtri indicou um crescimento aquém do esperado, sinalizando um enfraquecimento mais rápido da economia americana. Por outro lado, o PCE de dezembro apontou uma alta mais acelerada dos preços do que o previsto em relação ao mês anterior. No âmbito político, o principal destaque aconteceu nesta sexta-feira (20), após a decisão da Suprema Corte dos EUA de que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sem a aprovação do Congresso são ilegais, o que enfraqueceu o dólar globalmente ao longo da sessão. Algumas questões práticas da decisão, contudo, seguem em aberto. O acirramento inesperado das tensões entre EUA e Irã elevou as percepções de riscos geopolíticos na semana, impulsionando as cotações futuras de petróleo. Apesar disso, o real foi favorecido, diante da alta das ações nacionais do setor petrolífero. Na agenda nacional, o destaque foi o Índice de Atividade Econômica do BCB (IBC-Br) que apontou para um leve enfraquecimento da atividade econômica, e reforça as expectativas de um ciclo mais rápido de cortes na taxa básica de juros (Selic).Mesmo assim, o Dollar Index (DXY) apresentou queda semanal, influenciado, sobretudo, pela notícia de que o governo chinês estaria recomendando a redução da exposição dos bancos do país aos títulos públicos americano. No âmbito nacional, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontou estabilidade na variação mensal dos preços, porém, acumulou leve alta no acumulado dos últimos 12 meses. Novos dados de atividade econômica no Brasil apontaram para uma desaceleração nos setores de serviços e comércio em dezembro, o que tende a fortalecer apostas de um ciclo mais rápido de cortes de juros no país.

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SOJA

Decisão da Suprema Corte dos EUA aumenta incertezas sobre compras chinesas e ofusca atenua alta da oleaginosa na semana 

A soja em Chicago teve leve alta na semana, mas a decisão da Suprema Corte dos EUA, limitando o uso de tarifas sem aval do Congresso, reduziu o otimismo sobre novas compras chinesas de soja norte-americana. O mercado passou a ver menor vantagem dos EUA nas negociações com a China, justamente quando a soja brasileira segue mais competitiva, favorecida por safra recorde e avanço da colheita. O Fórum Agrícola do USDA indicou aumento de área de soja nos EUA, porém com balanço ainda considerado confortável, mantendo incerta a necessidade de incorporar maiores exportações para a China. No Brasil, a colheita evolui e as exportações ganham ritmo, com forte lineup nos portos. Na Argentina, as chuvas melhoraram as condições das lavouras, sustentando a estimativa de produção. Nesta semana, o foco permanece na política tarifária de Trump e no ritmo das compras chinesas.

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MILHO

Futuros de milho recuam em Chicago enquanto USDA projeta menor área de plantio 

Os futuros de milho em Chicago registraram leve recuo na última semana, em meio a uma agenda fraca e à divulgação das primeiras projeções do USDA para a próxima safra americana, que indicam redução de área plantada e produção em linha com a tendência histórica. O destaque ficou na forma como o USDA enxerga a demanda: consumo para etanol foi mantido estável, apesar de analistas considerarem o número atual elevado e da possibilidade de maior uso com o E15 liberado o ano todo. As projeções apontam recuo no consumo para ração e nas exportações, ainda que a competitividade do milho dos EUA continue favorecida frente ao aumento da demanda interna no Brasil. A decisão da Suprema Corte dos EUA contra o uso da IEEPA para tarifas pressionou momentaneamente as commodities, mas o impacto foi limitado. No Brasil, os preços na B3 seguem em alta e o atraso no plantio da safrinha aumenta a preocupação com o desenvolvimento das lavouras.

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ÓLEOS VEGETAIS

Otimismo com biocombustíveis contrasta com incertezas sobre a legalidade das tarifas nos EUA 

O contrato do óleo de soja com vencimento em maio, o mais líquido no momento, encerrou a última semana em alta, cotado a US¢ 59,3/lb (+3,22%). No período, os rumores de que a EPA teria encaminhado para a Casa Branca a proposta das metas dos RVOs e o movimento de alta do petróleo – resultado do acirramento das tensões entre EUA e Irã na semana – foram os principais fatores de suporte para a commodity. Na sexta-feira (20), contudo, a Suprema Corte dos EUA declarou que o uso da IEEPA para instituir as chamadas “tarifas recíprocas” extrapolou a autoridade conferida ao presidente, tornando imediata a cancelamento das tarifas. Como resposta, Donald Trump decretou uma tarifa global de 10% (no dia seguinte elevada para 15%) durante 150 dias, com início programada para terça-feira (24). Essa decisão gerou um movimento de fraqueza no dólar e nos futuros de óleo de soja, mas que não reverteram os ganhos semanais. Já o óleo de palma, a tela de maio fechou a última semana com leve recuperação, cotado a USD 1.049,23 (+1,17%). Devido o feriado de Ano Novo Lunar, houve menos sessões e novidades para a commodity. Os movimentos que ocorreram nos preços são, principalmente, consequência de fatores que influenciaram os mercados de petróleo e óleo de soja. Na manhã desta segunda-feira, o contrato de maio do óleo de soja opera em leve alta, negociado a US¢ 59,68/lb (+0,68%) até as 10h30. Já na Malásia, a tela de maio da palma fechou o último pregão cotada a USD 1.050/t (+0,09%). Em geral, espera-se que o otimismo com o setor de biocombustíveis nos EUA siga guiando o mercado, enquanto na frente da palma o avanço de outros óleos pode apoiar as negociações, mas fundamentos baixistas do mercado seguem como resistência para os preços.

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FERTILIZANTES

Valorização do SAM, NAM, SSP e TSP 

Os preços CFR de fertilizantes no Brasil continuam firmes. Contudo, alguns produtos registraram sinais de estabilidade, o que pode ser um indicativo de acomodação, mas sem mudanças estruturais no balanço global. Os preços da ureia, por exemplo, perderam força, mas, ao mesmo tempo, as cotações do SAM e do NAM avançaram. No setor dos fosfatados, o MAP registrou estabilidade, enquanto houve valorização do SSP e do TSP. O cloreto de potássio, por sua vez, manteve as cotações da semana passada.

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PECUÁRIA

Oferta ajustada sustenta valorização do boi gordo e projeta firmeza na curva futura 

O mercado físico do boi gordo consolidou alta na semana, com reajustes nas principais praças, refletindo oferta mais restrita e maior dificuldade de originação por parte dos frigoríficos. As escalas de abate encurtaram, reduzindo o conforto operacional da indústria e fortalecendo o poder de barganha do pecuarista. Na reposição, bezerro e boi magro seguem firmes, com relação de troca ainda pressionada, o que pode estimular retenção e limitar a oferta futura. As exportações mantêm bom ritmo, com preços médios elevados e volumes acima do ano anterior, sustentando o mercado interno. Na B3, a curva futura avançou e indica expectativa de continuidade da firmeza no primeiro semestre, ainda sujeita ao câmbio e ao desempenho dos embarques.

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AÇÚCAR

Açúcar apresenta boa recuperação na semana 

Esta semana, o açúcar bruto conseguiu recuperar boa parte das perdas, com o SBH6 finalizando a semana acima dos US¢ 14/lb. O contrato mais próximo do açúcar bruto em Nova Iorque (março/26) apresentou uma boa recuperação de 52 pontos, finalizando a semana cotado a US¢ 14,30/lb (+3,77%). Já para o contrato de maio/26, tela mais líquida, a valorização foi de 37 pontos, encerrando a semana em US¢13,86/lb (+2,74%), motivado por potenciais revisões na safra global 2025/26 (out-set).

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ETANOL

Etanol recua para a casa dos R$ 3,65/L, e anidro registra maior recuo 

Nesta semana, os preços do etanol hidratado no mercado spot paulista continuaram sua tendência de recuo, finalizando o dia 20/02 próximo à marca de R$ 3,58/L, após atingir sua máxima de R$ 3,75 ao final de janeiro. O mercado spot paulista tem reagido à queda de R$ 0,14/L na gasolina ao final do primeiro mês de 2026, refletindo também o recuo na demanda em resposta à alta da paridade nas bombas, que se mantém próxima a 72% na média do estado de São Paulo, mostrando-se desfavorável ao biocombustível (acima do patamar psicológico de 70%) na média de todos os estados brasileiros.

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CAFÉ

Depois de quedas intensas, café passa por semana de correções 

A última semana foi de leve valorização para os futuros de café em suas principais bolsas, que passaram por correções após as intensas quedas das semanas anteriores, quando atingiram as mínimas de seis meses. O café arábica encerrou o período cotado a USc 298,3/lb, alta de 3,1%. Já o café robusta fechou a USD 3.800/t, avanço de 3,6%. No Brasil, os preços também registraram recuperação, ainda que em ritmo mais lento. O Indicador Cepea para o arábica avançou 0,9%, encerrando a sexta-feira (13) cotado a R$ 1.901,98/saca. O Indicador para o robusta subiu 2,2%, atingindo R$ 1.092,10/saca. Vale lembrar que, entre 27 de janeiro e 6 de fevereiro, o vencimento contínuo em Nova Iorque acumulou uma queda expressiva de 7.070 pontos, equivalente a 19,3% do valor. Em Londres, o movimento também foi significativo: retração de USD 520, ou 12,2%, no mesmo intervalo.

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CACAU

Cacau segue recuando em meio a notícias de acúmulo de cacau no Oeste Africano 

Entre 6 e 13 de fevereiro, os contratos futuros de cacau registraram forte movimento de retração nos mercados internacionais. A pressão baixista continua amplamente associada às expectativas de maior disponibilidade global de amêndoas. Tanto Gana quanto a Costa do Marfim devem registrar expansão na produção da safra 2025/26, e os relatos de que exportadores em ambos os países têm enfrentado dificuldade para absorver integralmente o aumento da oferta reforçam o viés negativo sobre as cotações. Nesta semana, em meio ao recuo dos preços internacionais, o órgão estatal de Gana (Cocobod) anunciou um novo preço pago ao produtor, em tentativa explícita de estimular a demanda e facilitar o escoamento da produção.

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ALGODÃO

Algodão apresenta alta em Chicago em meio as boas vendas dos EUA e as perspectivas de balanço mais apertado 

A semana foi de valorização para os futuros de algodão em Chicago, com o contrato mais líquido avançando diante de fundamentos mais favoráveis. O primeiro impulso veio do relatório semanal de vendas de exportação do USDA, que mostrou o melhor desempenho da atual temporada, superando tanto a semana anterior quanto a média dos últimos cinco anos para o mesmo período, indicando demanda externa mais aquecida pela pluma norte‑americana. Além disso, o Fórum Agrícola do USDA projetou um balanço global menos folgado para 2026/27, reforçando expectativas de cenário mais ajustado à frente e intensificando o movimento de alta ao fim da semana. No âmbito técnico, segue a rolagem de posições na bolsa, após o First Notice Day do contrato com vencimento mais curto, levando os participantes a migrarem suas exposições para vencimentos posteriores para evitar envolvimento em operações de entrega física de algodão.

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PETRÓLEO

Petróleo amanhece estável, com atenções se dirigindo ao Golfo Pérsico 

Na última semana, o contrato do Brent com vencimento em abril/26 encerrou o período com uma alta acumulada de 5,9% posicionando-se em USD 71,76 bbl. Os preços do petróleo atingiram o maior patamar desde julho de 2025, com o aumento das tensões no Oriente Médio e o recuo expressivo dos estoques de petróleo e derivados nos EUA resultando nas altas observadas ao longo da semana passada.

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DIESEL

Importações brasileiras seguem aquecidas em janeiro 

Na semana passada, o contrato mais ativo do NY Harbor ULSD operou com alta de 8,3%, encerrando a sexta-feira (30) em USD 2,5858 por galão. O avanço significativo da demanda pelo combustível no mercado norte-americano – que atingiu o sexto maior valor da série histórica – e a chegada de novas ondas frias na Costa Leste dos EUA resultou em aumentos expressivos do diferencial entre diesel e petróleo, que superou na manhã de hoje (23) os USD 38 bbl.

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GASOLINA

Crack-spread recua para o menor nível em 11 meses 

Na última semana, a gasolina encerrou o período negociada com alta de 4,5%, operando próximo de USD 1,99/galão. O diferencial entre RBOB e Brent, por outro lado, apresentou um recuo de 3,1%, se posicionando ao redor dos USD 12,1 bbl. Os futuros da gasolina cresceram de maneira mais tímida, com a manutenção de estoques elevados para o período contribuindo para esse avanço menor do crack-spread do combustível.

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